Todas as vezes que a TV é ligada, surgem inúmeras notícias ruins que afastam as pessoas da alegria.
Lembro-me de quando era criança e meu pai ouvia um programa policial de rádio chamado Bandeira Dois. Eram apenas notícias de crimes bárbaros e desgraças que estampavam as páginas policiais dos jornais. Recordo que ele gostava de ouvir, mas eu, como criança, ficava com medo daquilo que escutava.
Quando eu era um assíduo consumidor de telejornais, percebia que a dinâmica era sempre a mesma: desgraça, crime, tragédia, escândalos e, depois, bem no final do jornal, os gols da rodada para “distrair a mente”. Na pandemia, decidi não ligar mais a TV e, provavelmente, você sabe o porquê.
Hoje, em meu momento de leitura da Palavra, deparei-me com uma declaração do apóstolo Paulo que me levou a escrever estas poucas linhas. Em um contexto em que estava preso e sem saber se seria ou não condenado à morte, ele afirma:
“Estou dividido entre os dois desejos: quero partir e estar com Cristo, o que me seria muitíssimo melhor. Contudo, por causa de vocês, é mais importante que eu continue a viver. Ciente disso, estou certo de que continuarei vivo para ajudar todos vocês a crescer na fé e experimentar a alegria que ela traz.”(Filipenses 1:23-25)
As más notícias e o estilo de vida moderno estão contribuindo para uma das maiores crises de depressão da história da humanidade. Evidências numéricas coletadas pela Organização Mundial da Saúde, pelo Institute for Health Metrics and Evaluation e por órgãos nacionais como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística detalham essa escalada histórica.
Estudos globais baseados no Global Burden of Disease revelam que o número de pessoas convivendo com transtornos depressivos disparou em nível mundial:
- Salto de casos: entre 1990 e 2021, o número total de casos prevalentes de transtornos depressivos no mundo registrou um aumento de 88,52%.
- O estopim da pandemia: somente no ano de 2020, os impactos sociais e o isolamento decorrentes da COVID-19 geraram um acréscimo repentino de 53,2 milhões de novos casos de depressão maior globalmente — um aumento de 27,6% em apenas um ano.
- Volume atual: atualmente, a OMS estima que aproximadamente 300 milhões de pessoas sofram de depressão ao redor do mundo.
Diante desse quadro catastrófico, Paulo apresenta a solução: a fé.
A resposta pode parecer simplória, mas quem já vive a alegria que a fé proporciona sabe que ela é real e acessível a todos os que abrem o coração para recebê-la. A cada dia que crescemos em fé, mais experimentamos dessa alegria que excede todo entendimento humano.
A alegria que provém da fé é magnífica porque tem como fonte a Palavra de Deus (“a fé vem por ouvir a Palavra” — Romanos 10:17). Ela é imutável e não se perde com o tempo. A alegria que provém da Palavra é eterna, se permanecermos nela, pois a Palavra que nos trouxe alegria é a mesma que continuará nos sustentando.
Os acontecimentos que constroem a nossa história são instáveis: em certos momentos nos levam a uma alegria passageira; em outros, à tristeza que, diga-se de passagem, também é momentânea. Dias atrás, conversando com uma pessoa aleatória em um supermercado, ela me disse, com um semblante abatido, que só se sentia feliz quando estava de folga em casa. Então a levei à reflexão de que estava fadada a sofrer seis dias por semana para sentir-se bem apenas em um. Que vida miserável!
A fé nos convida a sermos felizes hoje, olhando para aquilo que Deus fez, faz e ainda fará em nossas vidas.
Finalizo com a receita de Paulo para nos mantermos alegres:
“Alegrem-se sempre no Senhor. Repito: alegrem-se!Que todos vejam que vocês são amáveis em tudo o que fazem. Lembrem-se de que o Senhor virá em breve. Não vivam preocupados com coisa alguma; em vez disso, orem a Deus, pedindo aquilo de que precisam e agradecendo-lhe por tudo o que ele já fez.Então vocês experimentarão a paz de Deus, que excede todo entendimento e que guardará seu coração e sua mente em Cristo Jesus.”(Filipenses 4:4-7)
Tenham um excelente dia.