Eu amo paradoxos! Como pode um cego enxergar apenas o que está perto?
O pior cego é aquele que acredita que vê, e o pior escravo é aquele que acha que é livre. O Evangelho confronta escravos que se sentem livres para que se tornem livres que escolhem não ser escravos do pecado. E também dá vista aos cegos que não enxergam a vida que Deus desenhou para eles, transformando-os em cristãos que não voltem a ser cegos.
Todos sabem que a proposta do Evangelho é transformar pecadores arrependidos em santos que manifestam a vida de Deus por meio de suas próprias vidas. O alvo é tão elevado que nos foi concedida a dádiva de receber o próprio Espírito Santo de Deus para habitar em nós, pois é Ele quem proporciona essa transformação, de glória em glória, à imagem do Senhor Jesus.
Pedro, porém, ao escrever sua segunda carta, faz um alerta:
"Mas aqueles que não se desenvolvem desse modo são praticamente cegos, vendo apenas o que está perto, e se esquecem de que foram purificados de seus antigos pecados." (2 Pedro 1:9 – NVT)
Não seria bom nem para mim nem para você, depois de nascer de novo, tornar-se um cristão cego que só enxerga o que está perto, concorda?
Os nove primeiros versículos dessa carta de Pedro são tão poderosos que precisam ser analisados carinhosamente por todo aquele que passou a enxergar e não deseja voltar a ser cego. Estas poucas linhas servem apenas para despertar a importância de crescermos na Palavra que nos salvou e continua nos salvando a cada dia.
No verso 3, Pedro afirma que Deus, com Seu poder divino, nos concede tudo de que necessitamos para uma vida de devoção. Ou seja, não há mais desculpas para não vivermos uma vida de devoção (entenda como uma vida de santidade), pois tudo de que necessitamos já está disponível por meio do poder de Deus que está à nossa disposição.
No verso 4, somos convidados a participar da natureza divina e a escapar da corrupção do mundo causada pelos desejos humanos, por meio das Suas grandes e preciosas promessas. Isso significa que, quando cremos nas promessas de Deus em Cristo, somos perdoados dos nossos pecados e feitos filhos de Deus, participantes da Sua natureza divina.
Já no verso 5, Pedro alerta: "Diante de tudo isso, esforcem-se ao máximo para corresponder a essas promessas". Perceba que é por meio da fé nas grandes e preciosas promessas que nos tornamos participantes da natureza divina, mas será por meio do nosso ESFORÇO MÁXIMO que corresponderemos a elas. Trata-se de uma parceria intencional entre nós e o Espírito Santo.
Para nos ajudar, Pedro passa a nos apresentar um caminho que devemos seguir, como um passo a passo para não voltarmos a ser como cegos que só enxergam o que está próximo. Ele ensina, nos versos 5, 6 e 7:
"Acrescentem à fé a excelência moral; à excelência moral o conhecimento; ao conhecimento o domínio próprio; ao domínio próprio a perseverança; à perseverança a devoção a Deus; à devoção a Deus a fraternidade; e à fraternidade o amor."
Primeiro vem a fé, e com ela o acesso às promessas de Deus.
Depois vem a excelência moral, que demonstra nossa libertação do pecado e nossa submissão ao senhorio de Jesus.
Nessa jornada de santidade, vem então o conhecimento, que revela a pessoa de Deus com mais profundidade. E quem passa a conhecer a Deus passa também a conhecer a si mesmo.
Depois de conhecer a si mesmo, será necessário desenvolver domínio próprio, pois não seremos mais como crianças na fé. Se estamos amadurecendo, precisaremos agir como tal, mesmo diante das tentações internas e externas.
O aperfeiçoamento do domínio próprio nos leva à perseverança. Perseverar é permanecer na revelação de que somos filhos de Deus, mesmo diante de todas as circunstâncias contrárias e até mesmo da rejeição daqueles que mais amamos.
A perseverança aperfeiçoada nos levará a uma vida plena de devoção a Deus. Uma vida de piedade em que nada mais importa, senão viver a vida que importa para Deus. Parafraseando Jesus, seria o momento em que poderíamos dizer, como Ele disse, que só fazia o que via o Pai fazendo e só falava o que ouvia o Pai falando.
A vida de devoção nos conduz à fraternidade, ou seja, a uma irmandade verdadeira, na qual podemos nos tornar amigos de Jesus. Irmãos vivendo a plena comunhão dos filhos de Deus.
Essa fraternidade nos elevará ao ápice do amor, que é o próprio Deus, a um lugar onde tudo o que existe em nós refletirá quem Deus é.
Pedro então afirma no verso 8:
"Quanto mais crescerem nessas coisas, mais produtivos e úteis serão no conhecimento completo de nosso Senhor Jesus Cristo."
E no verso 9 alerta:
"Mas aqueles que não se desenvolvem desse modo são praticamente cegos, vendo apenas o que está perto, e se esquecem de que foram purificados de seus antigos pecados."
Perceba que existe uma consequência para aqueles que não se desenvolvem: retornarão à prática do pecado.
Eu não sei você, mas eu já decidi que não posso cair nessa armadilha. O prêmio que Pedro nos apresenta para aqueles que se esforçam para desenvolver esses atributos é:
"Assim, sua entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo será acompanhada de grande honra." (2 Pedro 1:11 – NVT)
Um comentário:
Uma mensagem desafiadora e cheia do amor e bondade de Deus que nos conduz a um alerta de vida santa , pura e apaixonada por Cristo
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